Marrocos! Uma experiência única...
O Lisboa Dakar que não aconteceu!
Á uns bons anos que sustentei uma esperança e uma vontade de ir acompanhar o Paris Dakar, agora o nosso Lisboa-Dakar. Além da vontade, existia um desejo muito grande de conhecer Marrocos, o deserto, as pistas e as maquinas que em tantos km as trilham e marcam, a natureza e homem!
Posso mesmo chamar de azar o facto de ter acontecido a anulação desta prova. Foi um duro golpe sobre todos os intervenientes do Dakar, nomeadamente as equipas que se prepararam durante meses a fio, representou enormes prejuízos, fora de controlo sem dúvida. Penso que é uma máquina muito grande para se poder parar numa questão de horas, enfim, não aconteceu o Dakar mas aconteceu a minha viagem até Marrocos como estava prevista.
Tinha organizado uma série de coisas com o objectivo de ir e tornou-se uma decisão nada fácil de tomar...
desistir ou não? Não. Fui na mesma tendo consciência que o principal motivo que me levava até Marrocos era o Dakar, as maquinas, não iam acontecer.
Ao descermos para Sul eram já inúmeras as caravanas que regressavam á Europa. Uns a virem do que não tinha começado e nós a irmos.
Sábado, dia 5 de Janeiro estávamos a entrar em Ceuta, e descemos, agora com mais tempo, pois não havia necessidade de andar muito, mas havia e a prova disso seriam os dias que se seguiam. Haveria caso a prova estivesse a decorrer, teríamos que "andar" atrás dela, não sendo assim ficámos com mais tempo para fazer pistas, mais areia, mais deserto, representou um extra perante o que estava previsto fazer.
Aparte de tudo isto, tive sorte no grupo de pessoas com quem tive oportunidade de conviver durante 1 semana...muitos deles já repetentes em Marrocos, artistas no amanho dos 4x4. Gente muito boa. Fomos um grupo de 17 homens em 7 jeeps. O meu amigo Pedro Patrocínio deu-me o prazer de fazer parte da sua equipa e éramos assim os dois no seu bem equipado GR. Afiançado, derrancado com o volante nas mãos não dava negas a nada, um grande companheiro, sempre disponível. Seriam e são muitas as referencias a respeito deste amigo que me irão fazer recordar Marrocos, as pistas em 4 altas e baixas muitas vezes. Voltarei um dia se a vida me proporcionar essa oportunidade. Pensei em colocar aqui um lote de fotos que me dão enorme prazer poder compartilhar com nossos amigos. Espero que transmitam algo de interessante, "in loco" é outra vida sem dúvida. Vi muita coisa e não vi nada, é um País enorme e aquela imensidão de deserto ainda transmite com mais infinidade essa sensação. São terras que parecem não ter fim.
O Povo é tão diferente de nós, tinha uma imagem um pouco influenciada pelos vendedores ambulante que circulam por cá. A cultura e a religião assumem um destaque notório”s”. A comida nada tem haver com a nossa, mas a nós nada faltou. Este grupo já tem uma logística bem assente, organizada, almoçamos sempre refeições feitas na hora.
Parávamos em pleno deserto, acendíamos o lume e tudo funcionou. Comemos picanha assada, bacalhau, etc. Não faltou nada, até máquina de café tínhamos. O responsável por esta área tão importante foi o amigo Manuel Ribeiro, pessoa ligada a actividade da restauração no norte do País, foi incansável. Nada nos faltou. No final de cada almoço era o período mais difícil, estômagos cheios, e toca a andar, pistas, dunas, era o que viesse com km e km”s” até ao próximo ponto onde tínhamos o hotel á nossa espera. Houve um dia em que chegamos já de madrugada, tudo partido, tudo moído, mas de manhã, 7 horas, 7.30 já nos estávamos a preparar para arrancar.
Houve de facto muita coisa que me surpreendeu. No entanto não contava que a principal "surpresa" viesse do lado feminino. Aquela imagem de termos as mulheres tapadas até ao ultimo cabelo, contrastou com o que vi na noite em que saímos em Agadir e em Marraquexe. Mulheres
lindíssimas com um ar exótico e misterioso. Das mais lindas que já vi, e muitas juntas ainda por cima. Não contava, não imaginava. Só mesmo
Alá nos valeu, mais ou menos vá!
Os homens, cuidado. Esquisitos e desconfiados, expressão fechada e sisuda. Manifestam um distanciamento que só por si nos mantêm longe.
Os tipos que vi em serviço, porteiros e seguranças só me faziam lembrar os guarda-costas de algumas figuras públicas do mundo árabe que aparecem na TV. Como vendedores para o turista uns melgas perfeitos, o tipo que estamos habituados a ver por cá.
Caros amigos acabou por valer a pena, muito mesmo, as crianças então, é outro mundo aonde ainda existe muita falta de muita coisa, tivemos oportunidade de privar por varias vezes com grupos, muitas delas criadas nos aldeamentos em pleno deserto, longe de tudo mas sendo felizes. Mal parávamos, onde nada avistávamos, passados momentos já havia alguém a dar sinal de vida, alguém se aproximava. Quem era? Uma criança e a
seguir outra, e outras. Impressionante, aparecem do nada e adoram as lembranças que levamos para lhes dar, eles já sabem. Eu levei t'shirts que fizeram um sucesso, até bulhavam, batiam-se mesmo. Fizemos cerca de 5.500 km mas foram bem passados, bem percorridos. Valeu e gostei mesmo muito. Espero um dia poder voltar.
Carlos Nunes
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